terça-feira, março 29, 2011

Pensões



De um comentário no Blog do Fresco e Fofo , surgiu-me um dado que já tinha ouvido falar na comunicação social mas que não tinha visto sob a forma de documento.

Pensão máxima em Espanha – 2.290,59€


Em Portugal não há um limite superior para as pensões. No entanto, o PSD, através de Passos Coelho, sugere agora o valor de 5030,64€… Mesmo que tal venha a ser um projecto de lei e que venha a ser aprovado, fica-se com um valor que superior ao dobro do de Espanha.

Não tenho nada contra as pensões altas. Tenho sim contra as pensões baixas… e se não houver outra forma de resolver o problema (e parece que não há, já que em 2040 as pensões terão um valor de cerca de 50% das actuais - partindo do princípio de que ainda existem…), será mais fácil uma pessoa que iria viver com 5030€, habituar-se à ideia de que terá, um dia, que vir a viver com 2290€ (e se terá direito a este valor, provavelmente terá salários de onde mais facilmente poderá fazer um aforro).
Isto para que ninguém tenha de viver com menos de 300€…

Eu percebo que colocar o limite nos 2290€ e não nos 5030€ será uma medida impopular entre os que vão perder valor na pensão. Então, mas que fazer com aqueles que recebem apenas 300€? A Espanha poderá ser também exemplo para coisas “boas”, não só para ventos e casamentos…

P.S. Hummm… como é que eu viveria com 300€, aí com uns 70 anos, tendo de comer, pagar água, luz, gás, eventualmente telefone… e a tomar medicamentos???

13 comentários:

Vera, a Loira disse...

Pois... a questão é mais actual. Como é que estas pessoas vivem?

Catarina A disse...

Por isso é que se vê tantos velhotes na miséria. É muito triste e é uma situação em que ng pensa.

António Branco disse...

Olá Vera!
Hoje há pessoas com pensões inferiores a 250€... não sei como é que fazem, se não tiverem outro apoio...

António Branco disse...

Olá Catarina!
Ele pensar, pensa... não se faz é grande coisa... os políticos falam sempre das pensões de miséria... mas depois, as pensões de miséria ficam na mesma... pensões de miséria...

Pusinko disse...

É isso e acumular pensões. Que tenham uma pensão ficial e façam eventualmente alguns biscates... ou até um trabalho extra se a saúde o permite, tudo bem.
Já o facto de somar 2-3 reformas é algo que me custa aceitar. Especialmente quando há idosos em condições deploráveis.

Fresco_e_Fofo disse...

Não é só a Espanha que tem limite para as pensões. A Suíça está a fazer o mesmo e, penso, até tem ou pensa implementar (peço desculpa pela imprecisão) um tecto salarial.
Mas isso era pedir muito. Era pedir um pouco de honestidade moral aos políticos portugueses.
Ainda assim, mantenho um certo optimismo em relação ao futuro das pensões. É que o mundo está sempre a mudar e o que estes palhaços hoje têm como um dado adquirido, de um dia para o outro pode mudar.
Já vimos (ou lemos...) grandes impérios construídos para durarem mil anos, desabarem em poucos meses. Porque não acabar com esta palhaçada, antes que acabe o dinheiro das pensões?

António Branco disse...

Olá Pusinko! Bem vinda!

Completamente de acordo! Mas temos um presidente a dar o exemplo oposto... acumula pensões e já não acumula o vencimento às pensões porque uma nova lei o impede...

P.S. Na verdade, não deveria haver biscates nem qualquer trabalho pago enquanto se está reformado... se a pessoa se reformou, deveria ficar "reformado" (com uma reforma decente, dentro de limites). Impedia que andasse a tomar o lugar de gente activa e que não consegue emprego. Mas se quer trabalhar, acho que tem esse direito. Só que... se trabalha... não está reformado... logo, não deveria receber a pensão...

António Branco disse...

Olá Fresco!
Uma das razões porque acho que as pensões não vão acabar... é pouco ortodoxa... é que os políticos também não devem acabar tão depressa... e eles legislam... e legislando, terão de ter uma segurança social que lhes dê pensões também a eles...

Mas acredito que as coisas melhorem. Aliás, quando estão muito mal (virão a estar pior mas, acho, não muito mais...) têm tendência a melhorar...
Quanto a tectos salariais, sou a favor. Mas o ser humano é tramado... se lhe puserem um tecto salarial ele pede um prémio por qualquer outra coisa para compensar a perda no salário... (nem é preciso ir muito longe. Os açorianos não foram aumentados para compensar o aumento do imposto?).

... um dia a Humanidade chegará lá.

Manuel Santos Marques disse...

Hoje tens a casa animada, António – o tema é escaldante. Eu não teria tanta fé como tu em que, havendo pensões para os políticos, haverá para toda a gente. Imagino-os perfeitamente a estabelecer que, por razões de sustentabilidade e estímulo cívico, as pensões de reforma só serão atribuídas a cidadãos que tenham prestado «serviço público relevante». A título de exemplo: foram ontem publicadas as vagas para professores que queiram fazer o doutoramento em regime de equiparação a bolseiro: uma das condições é que os projectos de investigação têm de incidir sobre avaliação de professores (sim, a mesma que já foi revogada e que parece ser a única coisa relevante no ensino hoje em dia) http://dre.pt/util/getpdf.asp?s=udrd&serie=2&iddr=62.2011S02&iddip=2011021821.

António Branco disse...

Olá Manuel!
Quando estava a escrever, passou-me isso pela cabeça. "Será que aqueles FDP ainda inventam "uma" para se remunerarem apenas a eles?". Mas aí, eu, que sou o mais séptico de todos os que aqui comentaram, peguei nas ideias do Manuel e do Fresco (de que isto tem de mudar) e achei que isto tem mesmo de mudar (nem que seja só um bocadinho - aí impregnando a ideia com as do séptico António...). E continuei a escrita... acho que a verdade será um misto de tudo o que nós pensamos e projectamos. Haverá pensões. Serão mais pequenas. Apesar de nomeações específicas para que amigos específicos se especializem em assuntos específicos que interessem à governação... em detrimento dos outros (até isso acabará um dia... não sei é quando...).

António Branco disse...

céptico... sorry...
também sou séptico, não tenho alternativa...

Manuel Santos Marques disse...

Mas vais ter: ouvi noutro dia na televisão que se conseguiu inverter o processo de envelhecimento em ratinhos. Imaginei logo as consequências para a Seg. Social. Aí é que o dinheiro que devia ser para comida, água, energia e medicamentos só chegará mesmo para os medicamentos. Aliás, só um: cianeto, e em genérico.

António Branco disse...

hehe... mas se andarmos por cá mais tempo seremos aposentados mais tarde... andaremos a trabalhar até aos 100 anos...
descontaremos mais, haverá mais dinheiro (se não for para juros de dívidas...)... quem sabe se não conseguiremos pensões que permitam pagar o cianeto...