sábado, março 05, 2011

A imaginação na notícia



Em 1993, Kevin Carter fez, no Sudão, a foto que lhe viria a custar a vida. A opinião pública crucificou Kevin Carter, mas passados 18 anos sabe-se que a criança que parece estar prestes a ser atacada pelo abutre sobreviveu à fome e à guerra no Sudão.
A opinião pública apressou-se a julgar e a condenar sumariamente a alegada frieza com que teria agido Kevin Carter, considerando que o fotógrafo poderia, e deveria, ter feito alguma coisa para salvar a criança. O fotógrafo sucumbiu ao arrependimento e suicidou-se.
Então e a ligeireza dos que o condenaram sem sequer saberem o que tinha sucedido à criança?
Independentemente da ajuda que Kevin poderia ter prestado à criança, aqueles que o julgaram não quiseram saber do que tinha sucedido depois. A criança estava num campo de refugiados sob a alçada da ONU. Estava diagnosticada como gravemente subnutrida e estava num programa de tratamento. Sobreviveu.
Os portadores de más noticias não têm necessariamente de ser os responsáveis pelas más notícias… e mesmo aquilo que parece ser uma má notícia deve ser tratado como algo de temporário que há que seguir, não podendo estar apenas dependente da nossa imaginação.

Notícia do JN

8 comentários:

A Minha Essência disse...

Sabes, queria e tentei comentar, mas a foto como a história em si não me deixa fluír o raciocínio... enfim.

Kiss

António Branco disse...

Olá Essência! Talvez não haja comentários a fazer aqui... foi tudo tão intenso, roubando espaço ao raciocínio, que poderá não haver nada a comentar...

Bj

Dark angel disse...

Já tinha conhecimento desta história... só consigo dizer que subscrevo o último parágrafo...

Bom fds e carnaval*

Bichinha disse...

Já conhecia a foto há algum tempo mas desconhecia a história associada. Por acaso ontem li que a criança morreu mais tarde mas na altura já teria 4 anos. Mais palavras para quê. O último parágrafo do post diz tudo. Bom domingo.

António Branco disse...

Olá Angel!
Bom carnaval!
Obrigado.

António Branco disse...

Olá Bichinha!
A criança acabou por morrer há 4 anos, em 2006. Terá morrido "de febres", segundo palavras do pai.
Boa semana. Bom Carnaval!

Isa disse...

Julgamentos e opinião publica ... sempre associados, não é?

Conhecia a foto mas desconhecia a história do fotógrafo. Confesso que há determinadas fotos que me suscitam o mesmo tipo de pensamento " mas como é que se pode fotografar este momento, sem intervir??", normalmente fico-me por aí e tento iludir-me pensando que logo de seguida, alguém interveio e alterou a situação. Uma doida lunática, eu, porque todos sabemos que na maioria das vezes, será de todo impossível alterar-se aquele curso que parece ser o natural da situação.
Não acredito que se há alguém que tenha sensibilidade suficiente para registar um momento dramático, o faça só pelo dinheiro que vai pedir pela foto. Se mais não faz, é porque mais não pode fazer. Por muito que nos doa.

António Branco disse...

Olá Isa!

Como estás?

Eu costumo colocar todas as hipóteses. Não serve para nada se depois não souber qual a que corresponde ao decurso do acontecimento, mas coloco-as. O fotógrafo poderia ter ajudado depois que ninguém precisaria de saber. Ou não teria ajudado (e se calhar nem podia... fosse até porque precisava do atestado e tinha um avião para apanhar... ou tinha para fazer uma reportagem do presidente a banhos na Tailândia ;)...).
Ou a fotografia nem correspondia àquilo que parece. A criança pode-se ter baixado num momento de brincadeira e não de abandono ao fim. E pode ter alguém sentado próximo, que a foto não tem de mostrar isso... e o fotógrafo pode ter querido apenas chocar. Ou pode apenas ter querido fazer dinheiro...

O certo é que havia uma guerra. E as guerras não são bonitas... e permitem tudo...

Bj Isa.