terça-feira, fevereiro 22, 2011

FERVE (lá fora mas também cá dentro)



Trabalhei 8,5 anos para o estado a recibos verdes. Contratos de 2 meses. Sem mais nada (férias, subsídios). Interrupção obrigatória de 3 dias entre os contratos para não fazer 6 meses, o que obrigaria o estado a criar uma vaga... Ao fim de 8 anos e meio mandei o centro de saúde à fava. O centro de saúde e aqueles que reclamavam pelos 3 dias que não tinha aparecido.

Mas hoje há jovens em situação ainda pior… é isso que vos quero deixar. Enquanto alguém aceitar situações como a que se segue (link), elas continuarão a aparecer…

Estágio de 4 meses, 9 horas de trabalho por dia, 7 dias por semana, 350€/mês pagos a recibo verde….



10 comentários:

Manuel Santos Marques disse...

O Estado a dar o exemplo aos cidadãos de como se foge às leis que ele próprio cria. Ou o resultado de a economia ocupar na política o espaço que devia ser ocupado pela ética. Longe vão os tempos do Contrato Social.

Isa disse...

E ainda de realçar, se não estou em erro, que as empresas empregadoras de estagiários, ainda recebe um subsídio qualquer do estado.

São coisas boas e mais coisas boas....
O lado positivo é que se conseguirmos sair desta situação rançosa em que nos encontramos, estaremos preparados pra quase tudo. Porque o não nos mata, fortalece-nos.

Bom dia Anónio!

António Branco disse...

O estado não é pessoa de bem Manuel. Eu levei foi muito tempo a descobrir isso...

António Branco disse...

Olá Isa! Bom dia!
As empresas recebem por estagiário... e fazem como eu vi fazer onde estava: contratam um estagiário para estar 6 meses a "aprender". Essa aprendizagem consiste em estar 6 meses a colocar dados no computador. No fim, sai com essa magnífica experiência de 6 meses ... uma coisa aprende mais cedo do que eu: a não confiar...

Fresco_e_Fofo disse...

A minha filha fez 4 anos de licenciatura e dois de profissionalização (ainda está à espera que esses dois anos sejam equiparados ao mestrado que agora se tira depois de 3 anos de licenciatura), um dos quais a estagiar numa escola.
Teve o azar de ser o ano em que o Sócas acabou com estágios pagos, apesar de estar na escola o dia todo.
Nunca foi colocada (até porque tem evitado, por as condições não serem muito diferentes da que tem hoje) e dá formação num Centro de Formação Profissional a recibo verde, sem direito a fundo de desemprego, apesar de fazer descontos para a segurança social.
Está a ponderar alargar o concurso a uma zona mais vasta, a fim de ser colocada no próximo ano lectivo, pois a partir de agora e de forma gradual, os descontos para a segurança social e IRS, mais uma taxa se ultrapassar 1500€ mensais, podem atingir quase 50% do rendimento.
Por outro lado, se for colocada longe do local de trabalho actual e não conseguir acumular algumas horas de formação com o salário de professora, vê o rendimento substancialmente reduzido.
Este é o incentivo que se dá a um jovem professor.
12 a 14 horas diárias de formação, sem qualquer vínculo ao Estado, para no fim ficar sem metade do que ganhou com tanto esforço.
Se isto não dá vontade de pegar numa HK e abater esta cambada de chulos, não sei o que é preciso para o povo se revoltar.

Bichinha disse...

Pois é António, também sei o que é isso, não foi em centro de saúde mas foi numa ars, ou seja, tudo área da saúde e que não é nada fácil. Também de contratos de 3 meses para nunca chegar aos 6 e a saltar de contratos para recibos verdes até que um dia me fui embora sem olhar para trás. Tive pena que adorava o meu trabalho mas sem condições não dá mas se na altura era mau hoje então....

António Branco disse...

Expectativas. São tudo expectativas mal geridas por nós. Pensávamos que estávamos na Europa e criámos expectativas de Europa. Mas temos dirigentes do terceiro mundo, Fresco.
Pegar numa HK pode fazer todo o sentido. Mas não nos fará sair do terceiro mundo...

António Branco disse...

Olá Bichinha!
Eu não percebo como é que os dirigentes não entendem que se não fazem para ter os cidadãos consigo os terão contra si.
Continuam a fazer apenas o que é do seu interesse e não o que é do interesse de todos, como um qualquer Kadafi...
Mas também acho que há muita responsabilidade nossa. Muitos de nós aceita condições limite. E por vezes há alternativa.
Por outro lado, o estado diverte-se a colocar-nos todos uns contra os outros, como se algum de nós fosse dispensável. Ainda há dias li por aqui que há profissões que ainda têm emprego mas que um dia haverá desemprego para todos (a pessoa em causa parecia desejar isso). Eu desejo o inverso. Mas acho que o estado trabalha no sentido de nos odiarmos o suficiente para que desejemos mal aos que ainda estão bem (excluo aqui a classe politica...).
Dificilmente voltaria a fazer o que fazia nas condições actuais. Preferia fugir para o Kiribati e esperar que o oceano subisse, o que ainda dava uns anos fixes...

Rui Caldeira disse...

Os recibos verdes são tão maus que não devia ser recibos verdes mas sim recibos pretos . . .

António Branco disse...

Da Académica e não do Sporting, portanto... ;)